Pensar que conhecemos uma pessoa apenas olhando suas redes sociais é se enganar redondamente. Nas redes, mostramos apenas o que queremos mostrar, escondendo pelo caminho arestas, sombras incômodas e qualquer coisa que não queiramos que os outros vejam.
Com a foto do WhatsApp acontece algo parecido, e se você vir algum artigo dizendo que a foto escolhida para esse aplicativo de mensagens diz mais sobre você do que imagina, trata-se de um texto sem fundamento. O que é verdade, no entanto, é que ela funciona como um pequeno cartão de visitas.
A psicóloga Violeta Acedo Herrera explicou em entrevista à Semana que a foto "não permite saber como alguém realmente é", mas dá pistas sobre qual parte essa pessoa decidiu mostrar. Na opinião dela, é muito mais interessante observar a relação que cada indivíduo tem com a sua própria imagem digital. Há quem pense muito sobre como aparece diante dos outros e quem quase não dê atenção a isso.
A diferença, explica, não está necessariamente na personalidade, mas na importância que damos ao gerenciamento da impressão que causamos.
"Uma coisa é uma fotografia causar determinada impressão, e outra bem diferente é ela nos permitir saber como essa pessoa realmente é", garantiu. Ou seja, a foto de perfil no WhatsApp pode transmitir uma sensação de proximidade, por exemplo, mas isso não significa necessariamente que a pessoa seja próxima ou acessível.
E não, tampouco podemos tirar conclusões psicológicas válidas se alguém troca de foto constantemente ou a mantém durante anos, segundo Acedo. "Não podemos dizer que quem muda muito de foto seja mais inseguro, mais superficial ou mais instável", afirma. Por outro lado, é possível observar a relação que cada pessoa tem com sua própria imagem digital e a importância que dá ao controle da impressão que causa.
Em maior ou menor grau, todos nos preocupamos com a imagem que projetamos de nós mesmos. Isso se explica principalmente pelo gerenciamento de impressões, um processo consciente ou inconsciente pelo qual regulamos nosso comportamento para influenciar a forma como os outros nos percebem. Os motivos para isso vão desde a necessidade de pertencimento até o reforço da autoestima, e não há nada de errado em se preocupar com a imagem. É algo adaptativo e normal até certo ponto.
"Na psicologia, falamos de autoapresentação ou gerenciamento de impressão: selecionamos determinados elementos de nós mesmos para gerar uma impressão nos outros", explicou a autora de *La Familia Que Habitamos*. "Manter sempre a mesma foto no WhatsApp é uma forma de autoapresentação. Transmite estabilidade e pouca preocupação com a exposição digital", afirmou Acedo.
É preciso levar em conta o que mencionamos no início e que a ciência também comprova. Existem diversas pesquisas confirmando que, nas redes sociais, tendemos a uma autoapresentação idealizada. Isto é, destacamos muito mais os traços que desejamos valorizar, aproximando nossa imagem da versão de nós mesmos que gostaríamos de projetar.